A Imaginação é a Memória de deus.

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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

"Infelizmente": anarquia em breve.

Dá pra concluir — numa interpretação brevemente etimológica — que a Anarquia (é uma ideia praticamente social)  indica a existência de um estado político entre os humanos cuja essência é a sua própria auto-sustentabilidade coletiva, numa paz “sem governantes”. Uma sociedade anarquista é composta de indivíduos livres por si só e que com a consciência de serem livres em suas escolhas, saibam muito bem através de um bom senso comum que elas (i.e., as escolhas) causam efeitos nas outras pessoas, como numa teia de ações que vibra a cada movimento pessoal de um interligado entre aspas, no Outro. E talvez o mais importante seja o fato de que este tipo de sociedade, ao passo da conjectura para superação da real refutação, deve sobreviver — num conforto orgânico — na ausência de um Leviatã (ou se preferir, sob a ausência primordial das instituições autoritárias que é esse conjunto de tribos canibais, no sentido do termo, hierarquizada suprematicamente e...): eis a super ação que daria luz à utopia anarquista, pessoas vivendo numa cidade onde todos são felizes sem a necessidade de um governante, e isso não significa viver na bagunça ladina e libertina que repugna qualquer tipo de ordem. O anarquista, ao contrario da consciência de muitos que por aí pensam que o anarquista é um vandalo ou bandido baderneiro, na verdade, é um mestre da responsabilidade; o problema é que não existe anarquista solitário, sozinho, o anarquista lembra muito aquela boa e velha história de que uma andorinha sozinha não faz verão — não existe liberdade na solidão: esse é o cumulo da ilusão. (Pode crer?! Em outras palavras, ou o anarquista real é por todos sendo todos ou, nada, simplesmente vazio e indigno de existencia social, condenado ao exílio metafísico, onde sua utopia vira do avesso e não mais sonha com cidades perfeitas e sim com a imperfeição de se encontrar na atualidade ou se preferir, nessa masmorra do pesadelo.) Não é ausência de ordem e sim aprender a se educar num convívio que respeite uma ordem exótica despida de coerção. Entretanto, tal modelo social não se nega caótico em vista da nossa atual situação, pois, se para se sentir seguro for preciso prever tudo que envolve os eventos sociais, as harmonias éticas tendem ao impossível por causa de um colapso entre teoria e prática, idéias e ações culturais, que são ou extremamente distintas e destrutivas ou altamente atraentes e renovadoras umas com as outras. Querendo ou não, a única coisa que nunca muda, é a mudança — eis a principal problemática do contexto mundial (ou Universal, se preferir): é que fixação vs. dinamismo, tradicionalismo vs. contracultura, são padrões que se repetem de formas diferentes, a cada época no ápice explosivo de suas hegemonias artísticas, sob o norte de suas técnicas finais, fadadas à dubiedade.  

      (A soberania de poucos sobre muitos aciona uma rede de rancor na sociedade devido às leis cuja áurea fede a coerções famintas por coesão. Aqueles que confundem e não discernem coesão de coerção, nunca viverão a Anarquia de verdade; pro verdadeiro anarquista, coesão não se tem por coerção.)

      Historicamente, existem reflexões e indícios que denotam o fato da Anarquia ter sido realizada em comunidades humanas das antigas, bem antes mesmo de sua origem termológica e axiomática. O ser humano até hoje mantem sua essência ou instinto ou intuição, manha ou mania de ainda permanecer caçando e economizando — mas só que estagnado diante — nem além nem aquem — dos monumentos da linguagem. Na verdade, o termo é coisa moderna — e muito provavelmente encontrou vantagem para sua empresa com o desdobramento do niilismo, que arrebatou com tudo toda e qualquer opinião ou conceito religioso que diz respeito de como a pessoa deve agir moralmente em seus passos sociais. E, é importante frisar que com isso também emerge a ascensão da ciência tecnológica, que, sem dúvidas, possui algum atributo simbiótico altamente compatível com os conectores econômicos (ou alimentares) da espécie humana em sua realidade. (E ultimamente estes setores econômicos, em sua agricultura obscura das idéias e das ações, vem nos tratando educativamente como ovelhas e nos forçando a caçar feitos lobo, caçar sentidos de todos os sentidos por todos os cantos desta realidade; como se o sentido fosse nosso alimento e o nosso alimento, a ética da paz sem guerras, onde se façam sempre o melhor em prol do extermínio de doenças.) A ciência, portanto, encontra uma excelente oportunidade de sabotar dos profetas ou governantes, a atenção do senso comum. Mas há quem diga que os próprios profetas e governantes sabiam de tudo isso antes de todos e que, assim puderam elaborar — com a própria potencia neutra e natural da ciência — mecanismos que alienem as pessoas a necessitarem ou sentirem vontade de terem para si mesmos uma segurança liderada por um único governante egoísta, pois, quando o governante não é egoísta, se tem reforma agrária praticamente completa, em ação, ao nível das idéias até, onde a idéia de governante na verdade seja composta não só por uma pessoa mas sim por todas as pessoas que acionam a sociedade; neste caso, a sociedade é a pessoa em si; onde todos sejam lideres de si mesmos e de todos ao mesmo tempo num espaço compartilhadamente Feliz. Essa na verdade é a utopia dos dias de hoje. De novo: teoria e pratica se deparam com obstáculos heróicos, onde se exige demasiada flexibilidade intelectual e firmeza imaginativa para conceber o que se trata nesta dimensão da vida entre os humanos e de suas histórias constituídas em seus corpos.

       Basicamente, é ideal que se pense a existência da tensão deste fenômeno, situada numa zona de choque entre os princípios éticos espirituais e abstratos dos diversos religiosos que dividem uma mesma casa onde moram também diversos cientistas pragmáticos em suas ações concretas de caráter imediato sob uma índole materialista. A principal tensão aqui reside no fato de vivermos em plena contradição. E, o fato de estarem morando na mesma casa, voando ou pisando na mesma Terra, comprova que o movimento de uma pessoa reflete no movimento de uma outra pessoa que por aí vai refletindo pessoas (formando esta teia cujo comportamento, embora meio que invisível, lembra muito o da luz). O mecanismo dessa teia social manifestativa de teorias e práticas violentamente contraditórias, criadas a partir de um mesmo centro que é a própria humanidade, é o que problematiza o animal humano em sua aventura política. Nesta direção, a atualidade da situação e suas tendências estruturais, intimida qualquer um. O Anarquismo exige uma revolução que evite reações soberanas — por em quantum . . .